O delegado federal Felício Laterça desmentiu qualquer ligação com uma lista de supostos pagamentos atribuída ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e afirmou que entrou com uma representação na Polícia Federal para ter acesso à investigação que resultou na nova fase da Operação Unha e Carne.
A reação ocorreu após o nome de Laterça aparecer em uma planilha apreendida pela PF, segundo reportagem publicada pela band.com.br. A lista também cita o ex-governador Cláudio Castro, deputados e ex-parlamentares fluminenses.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Laterça negou envolvimento com repasses ilegais, classificou a citação como mentira e afirmou que quer saber de que forma seu nome foi parar no material da investigação.
Delegado nega envolvimento e cobra acesso aos autos
Na manifestação, Felício Laterça disse que, se seu nome aparece em alguma lista, seria “a de extermínio”, em referência ao fato de, segundo ele, ter denunciado a chamada máfia do cigarro.
“Se meu nome estiver em alguma lista é a de extermínio, porque a denúncia da máfia do cigarro quem fez fui eu. Agora, se alguém pediu alguma coisa no meu nome, vou descobrir quem foi. E esse canalha vai ser preso”, afirmou Laterça.
O delegado também levantou duas hipóteses: uso indevido de seu nome por terceiros ou uma retaliação política de pessoas que ele afirma ter denunciado.
“Tem ainda a possibilidade dessa mentira ser obra de algum político corrupto que eu denunciei e está se vingando. Seja como for, eu sou o maior interessado nessa investigação. Vou atrás das respostas da PF. Isso não vai ficar assim, não”, declarou.
Nome foi citado em planilha da Operação Unha e Carne
A quinta fase da Operação Unha e Carne foi deflagrada nesta quinta-feira (2) para aprofundar a investigação sobre lavagem de dinheiro ligada à nova cúpula da contravenção no Rio de Janeiro.
Segundo a reportagem da Band, a planilha apreendida pela Polícia Federal teria registros atribuídos a agentes políticos e figuras públicas. Em parte dos casos, os investigadores teriam identificado apenas nomes, sem valores correspondentes na coluna de pagamentos.
Laterça afirma que não teve acesso ao conteúdo da investigação e, por isso, apresentou a representação à PF. O objetivo, segundo ele, é verificar a origem da citação e identificar se alguém teria usado seu nome indevidamente.
Operação apura lavagem de dinheiro da contravenção
A Operação Unha e Carne investiga suposta lavagem de dinheiro vinculada ao jogo do bicho, a máquinas caça-níqueis e a fábricas clandestinas de cigarros na Baixada Fluminense.
Na nova fase, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São João de Meriti. Entre os alvos estavam Rodrigo Bacellar, o pastor Márcio Poncio e o próprio Adilsinho, que já está preso em unidade federal.
A Polícia Federal ainda não detalhou publicamente qual seria a situação individual de todos os nomes citados na planilha, nem se todos são tratados como investigados, beneficiários ou apenas referências encontradas no material apreendido.
Com a manifestação, Laterça busca se antecipar à apuração e sustenta que é o principal interessado em esclarecer o caso. O delegado afirma que vai cobrar respostas da Polícia Federal e identificar eventual responsável pelo uso de seu nome.
O espaço segue aberto para manifestação dos demais citados.
Fonte: ururau