Prefeito de Maricá chama Pedro Paulo, deputado do PSD de “meu senador” e amplia tensão no PT sobre a chapa ao Senado no Rio.
Quaquá rompe apoio a Pré Candidatura de Benedita da Silva ao Senado pelo PT-RJ. E agora? como fica??
O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá, declarou publicamente apoio à pré-candidatura do deputado federal Pedro Paulo, do PSD, ao Senado pelo Rio de Janeiro. O gesto ocorre poucos dias depois do rompimento político de Quaquá com a pré-candidatura da deputada federal Benedita da Silva, do PT, também ao Senado.
A manifestação foi feita em uma publicação nos stories do Instagram. Na postagem, Quaquá chamou Pedro Paulo de “meu senador” e afirmou que pretende organizar uma nova visita do parlamentar a Maricá. Pedro Paulo é um dos principais aliados de Eduardo Paes, pré-candidato ao Governo do Estado.
A declaração amplia a tensão interna no PT fluminense e sinaliza uma aproximação pública de Quaquá com o grupo político liderado por Paes. O movimento também ocorre em meio à disputa pela composição da chapa majoritária no Rio, especialmente em torno das vagas de suplência ao Senado.
Apoio público
O rompimento entre Quaquá e Benedita ganhou força após divergências sobre a composição da chapa. O prefeito de Maricá defendia a indicação de Felipe Pires, líder do PT na Câmara do Rio, para uma das suplências da candidatura da deputada.
A direção nacional do PT, porém, decidiu intervir no processo de escolha dos suplentes, reduzindo o poder de articulação do diretório estadual sobre a definição das vagas. A decisão contrariou Quaquá, que passou a criticar a condução nacional do partido.
Em declaração ao Agenda do Poder, Quaquá afirmou que o grupo majoritário do Rio havia oferecido apoio a Benedita, com Felipe Pires como suplente, mas que a deputada não aceitou a composição.
“O grupo majoritário do Rio topou apoiá-la e ofereceu um suplente, o líder do PT na Câmara do Rio, Felipe Pires, e ela não topou. Disse que tem idade avançada e quer deixar de herança pro Manoel Severino, seu chefe de gabinete, que certamente trará escândalos para a campanha já que estava ligado a saques de dinheiro no mensalão. Portanto não é questão etária, é questão de bom senso. Ela que dispensou nosso apoio”, afirmou Quaquá ao Agenda do Poder.
Crise na chapa
A fala de Quaquá elevou a temperatura da disputa interna no PT. Benedita da Silva é defendida por setores importantes da legenda, mas enfrenta resistência de parte do grupo político que tenta organizar a aliança estadual para 2026.
Em mensagens enviadas a integrantes da Executiva Nacional do PT, Quaquá já havia comunicado que deixaria de apoiar a pré-candidatura de Benedita. Na ocasião, criticou a decisão da direção nacional e afirmou que não colocaria suas “digitais” no processo político em curso.
Com o aceno a Pedro Paulo, o prefeito de Maricá dá um passo além da crítica interna e torna pública sua preferência por outro nome para a disputa ao Senado. O gesto também aproxima ainda mais Quaquá da articulação comandada por Eduardo Paes no Rio.
Disputa no PT
A movimentação ocorre em um momento decisivo para a montagem das alianças no estado. A disputa ao Senado deve ser uma das peças centrais da composição entre partidos aliados, especialmente em torno da relação entre PT, PSD e o grupo de Eduardo Paes.
Dentro do PT, o caso expõe a dificuldade de conciliar os interesses da direção nacional, do diretório estadual e dos grupos locais com peso eleitoral. Quaquá, que tem influência política em Maricá e ocupa a vice-presidência nacional da legenda, passou a atuar abertamente contra a construção da candidatura de Benedita nos moldes definidos pela cúpula partidária.
A declaração em favor de Pedro Paulo muda o tom da divergência. O que antes aparecia como uma disputa interna sobre suplência agora se tornou um apoio público a um nome de outro partido para a eleição ao Senado.
Por URURAU